19 jun

Entrevista: A entrada do mundo virtual na carreira do psicólogo Bruno Rodrigues

Fonte: Mudança de Planos

Bruno Rodrigues é psicólogo, empreendedor e apaixonado por ensinar. Logo de cara, ao saber no que ele trabalha, você deve imaginar que a profissão não tem futuro na internet, já que é uma área muito específica. Mas ele prova exatamente o contrário e hoje conta com o meio digital como seu maior aliado para seguir na carreira, ensina outros psicólogos a investirem em comunicação e quer ensinar as pessoas a empreenderem pela internet. Conheça melhor o nosso entrevistado de hoje e perceba que qualquer profissão pode ser trabalhada com o auxílio da internet.

– para quem não te conhece, quem é Bruno Rodrigues?

Vou responder na terceira pessoa. Bruno Rodrigues é um cara apaixonado pela vida. Tem 30 anos, já fez muita coisa na vida, mas ainda se sente um menino. Palestrante desde os 17 anos, professor, escritor, adora vídeo game, ler é uma paixão. Casou com 18 anos e se separou aos 25, e hoje é noivo de uma mulher incrível. Tem ideias o tempo todo e é teimoso em fazer tudo ao mesmo tempo. Atualmente aprende a empreender, agora também é empresário e quer de alguma forma impactar positivamente o mundo, ou pelo menos as pessoas mais próximas.

– desde quando você é psicólogo?

Minha formatura aconteceu em 13 de março de 2010. Mas apenas 1 ano depois eu comecei a atender. Após me formar veio a insegurança: será que eu estava preparado para ser psicólogo? Empreender, abrir um negócio próprio? Com essas dúvidas em jogo, levei um ano para criar coragem, me preparar e pedir demissão do antigo emprego de auxiliar administrativo. Desde março de 2011 atuo no consultório de psicologia.

– como surgiu a ideia de ir para o meio digital?

Eu gosto muito de ensinar, dividir conhecimento, pensar junto, construir. Além dos meus atendimentos, constantemente eu organizava palestras, cursos e workshops no meu consultório e sempre com ótimos resultados para quem procurava. As pessoas ficavam satisfeitas, aprendiam coisas que normalmente ninguém ensina, e que auxiliam muito no dia a dia. Os temas que eu trabalhava eram: Saúde Emocional, Relacionamentos Amorosos, Sexo, Ansiedade, Raiva, Medo, Sentimento de Culpa, sempre apontando caminhos para uma vida feliz e equilibrada.
Mas no consultório não cabiam mais do que 10 pessoas e eu queria alcançar cada vez mais pessoas. Foi daí que veio a ideia de dar cursos online, e junto com a ideia a pergunta, mas como? Seria viável? Alguém iria querer?

– isso mudou a sua vida profissionalmente?

Mudou completamente. A partir do momento que surgiu a ideia de cursos online comecei a pesquisar o “como fazer”, plataformas de curso, divulgação, etc. Neste momento conheci a Paula Quintão e fiz o curso Oficina de Aprimoramentos, o que me ajudou muito a criar meu primeiro infoproduto. E mudou minha vida profissional em todos os sentidos. Me sinto inclusive um psicólogo melhor agora. O alcance da internet é muito grande, o que faz com que os retornos sejam grandes. Como psicólogo autônomo fica a preocupação de ter que ganhar dinheiro para pagar as contas. Agora com os empreendimentos online essa preocupação não existe da mesma forma. Consigo trabalhar ainda mais tranquilo como psicólogo sabendo que tenho outras fontes de renda e que se completam.

– quais foram os resultados obtidos com essa entrada no mundo digital?

Para ver se funcionava mesmo este mundo digital, eu resolvi usar um dos cursos presenciais que eu já tinha preparado e converter para o digital. Gravei vídeos, aproveitei os slides e criei um curso sobre Relacionamentos Amorosos, sem gastar nenhum centavo, nem para divulgar. Usei meu facebook pessoal e avisei que tinha um material gratuito para dividir e quem quisesse era só me mandar o e-mail. 108 pessoas me passaram o e-mail. Pouco se pensar que tenho mais de 2 mil pessoas no facebook. Hoje eu sei que não eram tão poucas assim, eram as pessoas certas, as interessadas. Não adianta enviar e-mail para quem não tem interesse, aprendi isso depois. Enviei textos e vídeos para estas 108 pessoas durante 2 meses, tudo de graça. Ao final eu avisei que tinha um curso online, avisei a data, o número de vagas e quem quisesse era só se inscrever. O preço era 100 reais e tive 27 interessados. Foi meu primeiro resultado com a internet, 2700 reais em 7 dias. Fiquei muito feliz, por ajudar 27 pessoas de uma vez e ainda ser remunerado por isso.
Isso tudo de julho a setembro. Agora com um pouco mais de experiência, lancei em outubro o curso marketing para psicólogos, com a primeira turma tive um resultado de 3600 reais. E em novembro lancei a 2ª turma do curso marketing para psicólogos, desta vez usando plugin de captura de e-mail, e-mail marketing e alguns afiliados. Tive como resultado 11.500 reais líquido, fora o que outros afiliados ganharam, sendo que um deles conseguiu sozinho 2400 reais. O que me deixa muito feliz, mais pessoas aprendendo a ter recursos extras com a internet e o mais importante, todos alunos que fazem o curso ficam muito satisfeitos, altamente felizes com os resultados que eles passam a conseguir.

– hoje você ainda atende clientes no consultório físico ou a maioria é pela internet?

Eu não faço atendimentos virtuais. Como meu tempo está cada vez mais curto, atendo apenas alguns dias da semana e somente no consultório.

– você também vende cursos, certo? quais cursos você vende pela internet?

Exato. Atualmente eu tenho o curso de Relacionamentos Amorosos e o Marketing para Psicólogos. E começo a trabalhar em dois novos cursos que vem por ai!!!

– você tem um curso focado para o marketing dos psicólogos. Fale um pouco sobre esse curso. Os profissionais dessa área investem pouco em comunicação?

Eu não diria que investem pouco. O que acontece é que normalmente não sabem como fazer, por onde ir. Neste curso eu mostro como criar demanda, como usar as redes sociais com respeito ao código de ética do psicólogo, como montar site, blog, gravar vídeos, escrever textos eficientes, que agreguem valor aos leitores e que possam ser grandes vitrines para o trabalho do psicólogo. E os resultados são muito bons. Tenho até agora mais de 100 alunos, alguns dos quais pensavam em desistir da profissão e agora não estão dando conta do trabalho. Isso é gratificante demais!

– qual a importância que você vê dessa mudança para a sua carreira?

Foi um verdadeiro divisor de águas para mim. Agora consigo focar no que considero realmente importante. Posso escolher fazer apenas o que eu gosto. Antes ficava preocupado por não saber como seriam os próximos meses, agora continuo não sabendo mas já sei que não faltarão projetos (tenho muitas ideias), nem dinheiro, este virá naturalmente. Descobri que todos os meus potenciais, que antes eram usados principalmente na caridade, também podem ser usados para empreender e assim posso auxiliar cada vez mais pessoas. Seja através de textos, vídeos, cursos, psicoterapia, etc.

– hoje você dedica uma parte do dia para o digital e uma parte para seus pacientes? como é tua rotina?

Bem, no momento que respondo estas perguntas (dia 15/01/2015) estou de férias ainda de tudo. Volto semana que vem e estou programando uma semana bem diferente. Segunda-feira será livre, dia para eu ler meus livros, escrever meus textos, cuidar de mim.Terças e quartas aula. Quarta a tarde atendimentos. Quinta feira mundo digital, elaboração de novos projetos. Sexta-feira atendimentos. Sábado de manhã atendimentos e a tarde internet. Embora eu tenha feito essa divisão, o tempo está muito curto, preciso e quero mais tempo para desenvolver os projetos que dão trabalho. Domingo é dia da namorada e família!

– te considera bem remunerado hoje? mais do que antes de entrar no mundo digital?

Sim, com certeza. Até a forma de ver o dinheiro mudou. Por meio da internet dá ainda mais a sensação de que o dinheiro não passa de informação que pode ser transferida de um computador para outro. Hoje tenho algumas fontes de renda diferentes, como aulas em escola, atendimentos em consultório e internet, que inclui meus cursos e algum produto que eu possa me afiliar. Preciso arrumar tempo para começar a escrever meus livros, um sonho antigo. Mas ai terei que abrir mão ou de algumas aulas (que amo) ou atender menos pacientes.

– se considera um empreendedor digital?

Hoje eu me considero. Com mais de 100 alunos eu me considero. Sem dizer que estou desenvolvendo um projeto para ajudar estes alunos (quem tiver interesse) a se tornarem também empreendedores digitais e assim espalharem ainda mais as suas mensagens pelo mundo.

– quando iniciou essa trajetória online, o que as pessoas diziam para você? Muitas duvidaram que daria certo? E como lidou com isso?

Até hoje é assim, as pessoas tem a impressão que é passageiro. Lembro que o segundo curso que lancei, em 40 minutos após o lançamento eu já havia ganhado 2 mil reais, e eu brinquei com a minha mãe dizendo que anos atrás eu trabalhava o mês todo para ganhar isso. Claro que para dar certo é preciso muito trabalho, ter algo que realmente agregue valor às pessoas e traga soluções. Quando eu digo para uma ou outra pessoa mais próxima que irei comprar meu apartamento à vista elas não acreditam. Ok, hoje não tenho nem a entrada, mas em alguns meses irei criar!

– você é de uma profissão que analisando de modo geral as pessoas devem pensar que não tem muito o que fazer com a internet. Mas ao mesmo tempo você fez e provou que é possível aproveitar a internet em qualquer situação. O que você diria para as pessoas que acham que na profissão que estão é impossível empreender online?

Ótima pergunta. Sinceramente, vejo que qualquer pessoa com potencial pode empreender. Em qualquer profissão e até sem profissão, mas que tenha algo a ensinar. Todo mundo é bom em alguma coisa. Quem garante que alguém não pagaria para aprender o que você sabe? Normalmente aquilo que realmente somos bons, nem damos valor, uma vez que já é bem natural para nós. Eu sempre fui bom em divulgar meu trabalho pela internet, usar as redes sociais e jamais imaginei que alguém me pagaria para aprender a fazer isso. E hoje pessoas pagam para eu ensinar como usar as redes sociais de forma eficiente. E só pagam porque dá certo! Se eu consigo vender esta informação, você também consegue vender o que você é bom, alguém no mundo gostaria de aprender algo que só você tem a ensinar.

– pensa em no futuro ter algum curso dedicado a empreendedores?

Eu penso sim, é hoje a menina dos meus olhos. Na última semana de 2014 comprei 8 livros sobre empreendedorismo e estou estudando a fundo. Quero montar um curso que forme empreendedores com propósito. Pessoas que querem empreender e que seus projetos sejam voltados para melhorar a sociedade, a vida das pessoas, o mundo! Que tenham uma missão por trás, uma cultura e não apenas a vontade de ganhar dinheiro! Sei que será um sucesso esse curso, que aliás ainda nem existe, nem ao menos uma única palavra escrita. E se alguém quiser pegar a ideia fique a vontade, o mundo precisa de cursos assim :)

– por que você acha que tanta gente tem medo de empreender? O que você diria para essas pessoas?

Penso que os motivos são vários, inclusive culturais. Não somos ensinados a empreender e sim que precisamos estudar, ter um diploma e trabalhar para alguém.
Eu diria o seguinte: existe um universo imenso de possibilidades. Você não precisa trabalhar de segunda a sexta no horário comercial. O que chamam de estabilidade não tem nada de estável, é algo fechado demais. Você pode explorar seu potencial, só precisa aprender os caminhos, se preparar e inovar. É possível ganhar em semanas o que você ganha em meses e ter mais tempo livre ou, como no meu caso, ocupar seu tempo só com coisas que você ama. Eu amo a segunda feira, amo a terça, o domingo, o sábado, enfim.

    Comments

  1. GISELI GOUVEA
    16 de março de 2016

    Bruno, bom dia!

    É uma satisfação ler relatos como o seu.
    Estou entrando no empreendedorismos digital agora, também sou psicóloga, psicopedagoga, mestre em psicologia e Coach, mas principalmente mãe, esposa e adoradora das relações humanas.
    Quem sabe poderemos ser parceiros?
    Abraços!

    Responder
    • admin
      27 de março de 2016

      Será uma honra Giseli!

      Responder
  2. 30 de setembro de 2017

    Acabei de Ler esse texto.Excelente.tenho interesse em pensar junto com voce sobre esse projeto de empreendedorismo.Concordo contigo,nós não fomos educados para empreender,mas para sermos empregados-dependentes . Nos falta ousadia.

    Responder

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